Roubo de cargas no Rio encarece seguro para empresas de Petrópolis

Roubo de cargas no Rio encarece seguro para empresas de Petrópolis

Região metropolitana sofreu com mais de 9,1 mil ações criminosas no ano passado, mas índices estão caindo

Philippe Fernandes

No último domingo, o Diário mostrou que o custo com o seguro praticamente dobra para empresas petropolitanas, por conta da infraestrutura deficiente das principais vias de acesso ao município. Nesta semana, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou outro dado preocupante, desta vez com relação aos roubos de carga. Os índices de Petrópolis são pouco relevantes – houve apenas 23 casos ao longo do ano. No entanto, este tipo de crime é muito comum nas estradas que cercam o município e ligam a Cidade Imperial à região metropolitana.

A BR-101 foi a rodovia que teve o maior registro de ocorrências – 461 casos no trecho da Niterói – Manilha. Em seguida, está o Arco Metropolitano, com 200 casos. A RJ-085 foi inaugurada em 2014 e era a esperança de desatar o nó da infraestrutura no Grande Rio, mas se transformou em um filme de terror para quem transita pela via. A Dutra vem em terceiro lugar, com 195 registros. O quarto lugar com o maior número de registros no ano passado, de acordo com o ISP, foi o trecho que compreende a BR-040 e a BR-116, a Via Dutra: 152 casos, ou 2,1% do total. Após o entroncamento da BR-040 com a BR-116, aparece outra velha conhecida dos petropolitanos: a Avenida Brasil. Além dos constantes problemas com a má conservação e as obras do corredor BRT Transbrasil, que parecem infinitas, quem trafega pela via tem que rezar ou torcer para não ser assaltado: somente em 2018, foram 141 casos, uma média de 12 por mês.

Em seguida, com aparece a Estrada de Madureira – RJ-105, que liga a antiga estrada Rio – São Paulo às cidades de Belford Roxo e Nova Iguaçu, com 134 registros. A seguir, os demais trechos da BR-040, da serra à divisa com Minas Gerais: foram 57 ocorrências. Depois, aparece a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que liga São Gonçalo a Macaé, cortando a Região dos Lagos (51). Aliás, todos os caminhos para a Região dos Lagos são perigosos: a BR-493, Rio – Magé, outra rodovia que é utilizada rumo ao litoral-norte, teve grande índice de roubos de carga no ano passado: foram 46 ocorrências.

Entre as estradas com maior número de roubos de carga, ainda estão a RJ-104 – parte do trecho entre Niterói e Manilha (19); RJ-100 (entre Niterói e São Gonçalo, 18); BR-465 (antiga Rio – São Paulo, 16); RJ-111 (Estrada do Tinguá, 14); o entroncamento entre a BR-101 e a Rio-Magé (9); a Linha Vermelha (6); a RJ-116 (Rio – Friburgo) e a RJ-160 (Cordeiro – Cantagalo), ambas com cinco casos; a RJ-145 (Rio Claro – Rio das Flores), a RJ-148 (Friburgo – Carmo) e a RJ-158 (Campos – Carmo), as três com três ocorrências.

Queda

Esses índices refletem, por um lado, uma situação preocupante, fruto do abandono e da falência aos quais o Estado foi submetido nos últimos anos. No entanto, sinalizam para uma recuperação dessa questão, fundamental para a retomada da competitividade do Estado. Os 9.182 casos de 2018 – quando a segurança ficou a cargo do Gabinete de Intervenção Federal (GIF) – representam uma queda de 13,36% na comparação com 2017, quando houve 10.599 casos.

Uma análise cuidadosa aos números do ISP mostram que os índices de roubo de carga giravam em torno de 2,5 mil a 3,6 mil até 2014 – quando os primeiros sintomas da crise começaram a surgir, e os números pularam para 5,8 mil casos, um acréscimo de 40%. Percebendo a fragilidade das forças de segurança, os bandidos transformaram um crime trivial em um braço importante para o financiamento da atividade: houve 7,2 mil casos em 2015; 9,8 mil em 2016, e a explosão, para mais de 10 mil casos, em 2017.

Os dados deste ano também sinalizam para uma queda do roubo de carga. Nos dez primeiros meses de 2019, houve 6.325 ocorrências. No mesmo período de 2018, foram 7.669 situações do tipo, uma queda de 17,52%. Como este tipo de caso é mais frequente nas rodovias, os registros de roubo de carga em Petrópolis são pouco relevantes. Neste ano, houve 20 casos nos dez primeiros meses do ano – no ano passado, foram 26; e em 2017, 26.

Prejuízo de R$ 580 milhões

A Firjan divulgou, no início do ano, nota técnica onde analisava a situação do roubo de carga no Rio de Janeiro. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, considerando-se apenas o valor médio das cargas

roubadas, o custo com esse tipo de crime foi de R$ 580 milhões. O estudo sobre os registros de ocorrência também identificou forte concentração no entorno das principais rodovias que cortam o estado, como a BR-040, a BR-101, a BR-116 e o Arco Metropolitano.

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